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Medicamentos e Farmacologia

IBPs saiba proteger sua absorção de nutrientes

Entenda como o uso crônico de IBPs afeta sua absorção de nutrientes e descubra o caminho clínico para proteger seu equilíbrio metabólico.

Se você convive com aquela queimação persistente no estômago ou com o desconforto constante do refluxo, provavelmente conhece bem nomes como Omeprazol, Pantoprazol ou Esomeprazol. Esses medicamentos, conhecidos como Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs), são verdadeiros marcos da medicina moderna, devolvendo a qualidade de vida a milhões de pessoas. No entanto, o que começou como um tratamento de curto prazo muitas vezes se transforma em um hábito de anos, e é aqui que o silêncio da segurança medicamentosa pode esconder riscos nutricionais importantes.

Este tópico costuma ser confuso porque, na superfície, os IBPs parecem inofensivos — afinal, eles “apagam o fogo” do estômago. A grande preocupação que surge nos consultórios de gastroenterologia e nutrologia é que, ao zerar a acidez estomacal de forma contínua, você também altera a porta de entrada para minerais e vitaminas essenciais. O estômago ácido não serve apenas para digerir comida; ele é o laboratório químico necessário para “libertar” nutrientes que seu corpo precisa para manter os ossos fortes, o sangue saudável e os nervos funcionando perfeitamente.

Neste artigo, vamos esclarecer o nexo de verdade primordial sobre o uso prolongado desses fármacos. Você entenderá a lógica biológica da absorção, aprenderá a interpretar os sinais de que seu corpo está sentindo falta de nutrientes específicos e saberá exatamente qual caminho clínico seguir com seu médico para manter seu estômago protegido sem sacrificar sua saúde metabólica. Este é um guia de clareza para quem busca segurança no tratamento de longo prazo.

Pontos de verificação essenciais para sua segurança nutricional:

  • O fator B12: Sem ácido gástrico, seu corpo não consegue destacar a vitamina B12 das proteínas dos alimentos, o que pode levar a um cansaço inexplicável.
  • A barreira do Magnésio: O uso por mais de um ano está associado a quedas nos níveis de magnésio, um mineral vital para o seu ritmo cardíaco e muscular.
  • Saúde Óssea em pauta: A redução da acidez pode dificultar a absorção de cálcio, exigindo vigilância sobre a sua densidade mineral óssea.
  • O tempo de uso: A maioria das indicações clínicas para IBPs prevê o uso por 4 a 8 semanas; ultrapassar esse limite requer monitoramento laboratorial rigoroso.

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Visão geral do contexto dos Inibidores da Bomba de Prótons

Os Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs) são uma classe de medicamentos que bloqueiam de forma irreversível a enzima H+/K+ ATPase nas células parietais do estômago. Em termos simples do dia a dia, eles são os “interruptores” que desligam a produção de ácido gástrico. Essa ação é fundamental para permitir a cicatrização de úlceras, tratar a esofagite erosiva e controlar a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).

Este cenário aplica-se a milhões de adultos em todo o mundo, sendo uma das classes de medicamentos mais prescritas da história. Os sinais típicos de quem faz uso crônico e pode estar sofrendo de má absorção incluem fadiga persistente, formigamentos nas extremidades, cãibras musculares frequentes e, em estágios avançados, anemia e fragilidade óssea.

O tempo para notar deficiências nutricionais não é imediato; geralmente leva de 6 meses a vários anos de uso contínuo para que as reservas de vitamina B12 ou magnésio se esgotem. Os custos do tratamento são acessíveis, mas o requisito para o sucesso a longo prazo é a vigilância diagnóstica. Os fatores-chave que decidem o desfecho para você são a dosagem utilizada, a presença de outras doenças intestinais e a qualidade da sua dieta durante o tratamento.

Seu guia rápido sobre o uso prolongado de IBPs

  • Ação Silenciosa: O remédio funciona tão bem que você pode esquecer que ele continua alterando o pH do seu sistema digestivo todos os dias.
  • O Nutriente Crítico: A Vitamina B12 é a maior preocupação; monitore seus níveis séricos pelo menos uma vez por ano.
  • Atenção ao Magnésio: Se você sentir palpitações ou tremores finos, peça ao seu médico para dosar o magnésio plasmático.
  • Interação Alimentar: O IBP deve ser tomado preferencialmente de 30 a 60 minutos antes da primeira refeição para que ele bloqueie as bombas no momento em que elas são ativadas pela comida.
  • Desmame Gradual: Nunca interrompa o uso abruptamente após meses de tratamento, sob o risco de sofrer o “efeito rebote” da acidez, que pode ser pior que o sintoma original.

Entendendo os IBPs no seu dia a dia

Para você compreender o que acontece internamente, imagine seu estômago como um portal químico. Para que você consiga absorver o Ferro de um bife ou o Cálcio de um copo de leite, esses minerais precisam estar em uma forma química solúvel. O ácido clorídrico é o “solvente” natural que prepara esses nutrientes para serem captados pelo intestino delgado. Quando você toma um IBP crônico, esse portal químico fica “morno”, e muitos nutrientes passam direto pelo seu sistema sem serem devidamente processados.

No seu cotidiano, isso se traduz em uma saúde que parece “desbotar” aos poucos. A falta de vitamina B12 afeta a bainha de mielina dos seus nervos, podendo causar esquecimentos que você confunde com o envelhecimento natural. A redução da acidez também altera a microbiota intestinal, já que o ácido gástrico é o primeiro filtro contra bactérias indesejadas que ingerimos com os alimentos. Assim, o uso crônico pode favorecer o supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO), complicando ainda mais a absorção de nutrientes.

Lógica de monitoramento para o paciente em uso crônico:

  • Avaliação de Sintomas: Relate fraqueza, cãibras ou mudanças de humor ao seu médico.
  • Rastreio Laboratorial: Dosagem anual de B12, Magnésio, Cálcio e Ferritina.
  • Reavaliação da Indicação: Pergunte ao seu gastroenterologista se você ainda precisa da dose plena ou se pode migrar para o uso por demanda.
  • Suporte Direcionado: Em alguns casos, a suplementação via sublingual ou injetável contorna a barreira do estômago e garante sua nutrição.

Ângulos práticos que mudam o desfecho para você

Um ângulo prático que você e seu médico devem considerar é a forma do suplemento. Por exemplo, o carbonato de cálcio precisa de um ambiente muito ácido para ser absorvido. Se você usa Omeprazol e toma carbonato de cálcio, o aproveitamento será mínimo. Mudar para o Citrato de Cálcio, que não depende tanto da acidez, é um ajuste técnico simples que pode proteger seus ossos de forma muito mais eficaz.

Outro fator importante é a dieta anti-inflamatória. Muitas vezes, o uso do IBP é mantido para compensar uma dieta rica em açúcares e gorduras que irritam o esôfago. Ao ajustar o estilo de vida, você reduz a carga inflamatória e permite que a dose do medicamento seja reduzida, diminuindo proporcionalmente o impacto na absorção de nutrientes. O remédio deve ser uma ponte para a saúde, não uma muleta eterna para maus hábitos.

Compreender o conceito de “hipocloridria” (baixo ácido) é vital. Quando o ácido está baixo demais por muito tempo, a digestão de proteínas fica lenta, o que pode causar aquela sensação de estômago cheio por horas. Isso não é falta de remédio, é excesso dele. Identificar esses sinais de sobre-tratamento é o que lhe devolve a autonomia sobre seu bem-estar digestivo.

Caminhos que você e seu médico podem seguir

O caminho clínico moderno envolve o Deprescribing (desprescrição). Isso não significa apenas “parar de tomar”, mas sim encontrar a menor dose eficaz ou alternar para bloqueadores H2 (como a famotidina), que são menos potentes no bloqueio ácido e têm menor impacto nutricional. Esse caminho exige um diálogo franco e técnico com seu gastroenterologista.

Além disso, o monitoramento dos rins é um caminho obrigatório. Estudos recentes mostram uma conexão entre o uso de décadas de IBPs e a doença renal crônica. Manter a creatinina e a ureia sob vigilância garante que o benefício gástrico não esteja cobrando um preço alto demais de outros órgãos vitais. A medicina de precisão hoje busca tratar o indivíduo, e não apenas o sintoma de queimação.

Passos e aplicação: Como otimizar sua nutrição usando IBPs

Para você que utiliza esses medicamentos há mais de 3 meses, o protocolo de ação deve ser estruturado para prevenir carências antes que elas se tornem clínicas. Siga estes passos práticos:

O primeiro passo é o Timing Correto da Medicação. Tome seu IBP rigorosamente 30 a 45 minutos antes do café da manhã. Tomar após a refeição ou junto com a comida reduz drasticamente a eficácia do bloqueio e pode levar você a aumentar a dose desnecessariamente, o que piora a má absorção de nutrientes de forma exponencial.

O segundo passo é a Otimização de Micronutrientes. Se você precisa do remédio, certifique-se de que sua ingestão de magnésio através de vegetais verdes escuros, sementes de abóbora e amêndoas seja alta. Considere, sob orientação, o uso de vitamina B12 na forma de metilcobalamina sublingual, que entra na corrente sanguínea sem depender da ativação ácida no seu estômago.

O terceiro passo envolve o Monitoramento Ósseo Ativo. Especialmente para mulheres após a menopausa ou homens acima de 60 anos, o uso crônico de IBPs exige uma densitometria óssea de base e acompanhamento. Garantir níveis adequados de Vitamina D é o que vai segurar o cálcio nos seus ossos, mesmo quando a absorção gástrica estiver reduzida.

O quarto passo é a Higiene Digestiva. Como o ácido está baixo, mastigue os alimentos exaustivamente. A digestão começa na boca com a saliva. Triturar bem as proteínas facilita o trabalho das enzimas intestinais, compensando parte da falha gástrica e reduzindo a fermentação bacteriana que causa gases e inchaço abdominal.

O quinto e último passo é o Protocolo de Desmame (Tapering). Quando chegar o momento de reduzir o remédio, não pare de um dia para o outro. Reduza a frequência (dia sim, dia não) ou a dosagem pela metade por duas semanas. Utilize antiácidos de barreira (como alginatos) para proteger o esôfago durante essa transição, garantindo que seu sistema volte ao equilíbrio sem trauma ácido.

Detalhes técnicos: A bioquímica da Bomba de Prótons

Para os interessados na fisiologia profunda, a enzima H+/K+ ATPase é o estágio final da secreção ácida. O Omeprazol, por exemplo, é uma pró-droga que precisa de um ambiente ácido dentro dos canalículos da célula parietal para ser ativado em sua forma sulfenamida, que então se liga covalentemente à bomba. É essa ligação forte e duradoura que explica por que, mesmo que o remédio saia rápido do sangue, o efeito no estômago dura 24 horas.

Em relação à Vitamina B12, o processo técnico é fascinante: a B12 ingerida está ligada à proteína do alimento. No estômago, o ácido clorídrico e a pepsina precisam “quebrar” essa ligação. Simultaneamente, o estômago produz o Fator Intrínseco. Com o IBP crônico, a ativação da pepsina é inibida (ela precisa de pH < 3) e a B12 permanece presa à comida, seguindo para o intestino sem conseguir se ligar ao Fator Intrínseco, tornando a absorção no íleo distal nula.

Já no caso do Magnésio, o mecanismo técnico envolve os canais TRPM6 e TRPM7 no intestino. O transporte de magnésio através desses canais é altamente dependente do gradiente de pH. Um pH gástrico e duodenal mais elevado (menos ácido) desregula esses transportadores, o que explica por que alguns pacientes desenvolvem hipomagnesemia severa que não responde bem a suplementos orais simples, exigindo a descontinuação do IBP para normalizar os níveis minerais.

Estatísticas e leitura de cenários em Farmacologia Clínica

Observar os dados globais ajuda você a dimensionar a importância da cautela. Estima-se que entre 25% e 70% das prescrições de IBPs em ambientes hospitalares e ambulatoriais não tenham uma indicação clínica robusta para uso de longo prazo. Isso significa que muitas pessoas estão assumindo riscos nutricionais sem um benefício proporcional. Na leitura de cenário clínico, o risco de fraturas de quadril em usuários crônicos acima de 50 anos aumenta em cerca de 35%, segundo metanálises recentes.

Outra estatística relevante é o aumento do risco de infecções intestinais por Clostridioides difficile, que é até duas vezes maior em quem utiliza IBPs diariamente. O estômago menos ácido permite que os esporos dessa bactéria sobrevivam e colonizem o cólon. Esses dados mostram que a segurança do medicamento é alta no curto prazo, mas a curva de risco sobe consideravelmente após o primeiro ano de uso ininterrupto, reforçando a necessidade de revisão médica periódica.

Exemplos práticos de manejo do tratamento

Cenário A: O Desmame Bem-Sucedido

Paciente de 45 anos usava Omeprazol 40mg há 3 anos por refluxo leve. Apresentava fadiga e exames com B12 no limite inferior (210 pg/mL).

Caminho seguido: O médico reduziu a dose para 20mg por 15 dias, depois dia sim, dia não. Introduziu magnésio e B12 sublingual. Hoje o paciente controla o refluxo com dieta e famotidina apenas quando necessário, recuperando sua energia plena e normalizando a B12.

Cenário B: A Prevenção em Uso Obrigatório

Paciente de 70 anos com Esôfago de Barrett (lesão pré-cancerosa) que precisa de IBP contínuo para evitar câncer.

Caminho seguido: Em vez de retirar o remédio, a equipe focou no monitoramento. Realiza-se check-up nutricional a cada 6 meses. Suplementa-se Citrato de Cálcio e Vitamina D. A paciente mantém a proteção do esôfago com ossos fortes e metabolismo equilibrado, graças à vigilância ativa.

Erros comuns na jornada com IBPs

Erro 1: Tomar o remédio na hora da crise. O IBP não é um antiácido rápido para queimação imediata (como o sal de fruta). Ele leva de 1 a 3 dias para atingir o efeito máximo. Tomá-lo apenas quando sente dor é um erro técnico que impede o controle real do pH e leva você a tomar doses mais altas sem necessidade.

Erro 2: Achar que “natural” não interage. Usar suplementos de Ferro ou Zinco junto com o IBP sem estratégia. Esses minerais competem pela pouca acidez disponível. O erro é não distanciar a suplementação da dose do remédio ou não escolher formas queladas de nutrientes.

Erro 3: Ignorar o uso de IBPs na polifarmácia de idosos. Muitos idosos tomam IBPs apenas porque “está na receita” há anos. O erro é não questionar a indicação inicial, o que pode estar contribuindo para a perda de memória e fraqueza muscular (sarcopenia) por carência de vitaminas.

Erro 4: Substituir alimentação por medicação. Acreditar que pode comer qualquer coisa “porque o Omeprazol protege”. Esse pensamento ignora que o refluxo é um processo inflamatório. O remédio silencia o sintoma, mas a inflamação tecidual sistêmica e a má absorção continuam agredindo seu organismo.

FAQ: Perguntas Frequentes sobre IBPs e Nutrientes

1. Qual o melhor horário para tomar o Omeprazol para não atrapalhar os nutrientes?

O ideal é tomá-lo em jejum, 30 a 60 minutos antes da primeira refeição do dia. Isso garante que o medicamento atinja as bombas de prótons exatamente quando elas estão prestes a ser ativadas pela comida. Tomar o remédio tarde demais faz com que você precise de doses maiores, o que agrava a interferência nutricional.

Se você toma suplementos vitamínicos, tente deixá-los para o almoço ou jantar. Dessa forma, você distancia a suplementação do pico de bloqueio ácido inicial, permitindo que o pouco de acidez natural do dia ajude na solubilização dos nutrientes.

2. É verdade que o uso crônico pode causar demência?

Existem estudos observacionais que sugerem uma associação, mas não há uma prova de causa e efeito definitiva. Uma das teorias é que a deficiência crônica de Vitamina B12, causada pelo IBP, prejudica a saúde cerebral e simula sintomas de demência e perda de memória.

Portanto, antes de se desesperar com o risco de demência, foque em manter seus níveis de B12 elevados e sua saúde vascular em dia. A prevenção de carências nutricionais é o caminho mais seguro para proteger sua mente enquanto você trata o estômago.

3. Como posso repor o Magnésio se uso IBP todo dia?

A absorção de magnésio oral é dificultada pelo pH elevado. Se o seu nível estiver baixo, seu médico pode prescrever formas mais absorvíveis, como o Magnésio Quelato, Malato ou Treonato. Essas formas são ligadas a aminoácidos que facilitam a passagem pelo intestino independentemente da acidez gástrica.

Além disso, o banho de sais de Epsom (sulfato de magnésio) ou o uso de óleo de magnésio na pele podem ajudar na absorção transdérmica, contornando totalmente o sistema digestivo. É uma estratégia tática para manter seus músculos relaxados e seu coração protegido.

4. O uso de IBPs pode causar anemia?

Sim, por dois caminhos: a má absorção de Ferro e de Vitamina B12. O ferro não-heme (de origem vegetal) depende fortemente do ácido gástrico para ser convertido em uma forma absorvível. Sem ácido, você pode ter ferritina baixa mesmo comendo bem.

Se você tem anemia persistente e usa Omeprazol, o tratamento não deve ser apenas “comer mais feijão”. É preciso investigar a absorção e, se necessário, realizar a reposição de ferro por via intravenosa ou usar suplementos de ferro que não dependam do pH gástrico.

5. Posso tomar probióticos para ajudar na absorção?

Sim, os probióticos são excelentes aliados. Como o IBP reduz a acidez, que é uma barreira natural contra bactérias ruins, o intestino fica propenso a desequilíbrios (disbiose). O probiótico ajuda a manter a flora saudável e melhora a integridade da barreira intestinal.

Busque cepas como Lactobacillus reuteri ou Saccharomyces boulardii, que têm boa evidência no suporte digestivo para quem usa IBPs. Um intestino saudável consegue extrair melhor os nutrientes, compensando a deficiência inicial do estômago.

6. Qual a diferença entre Omeprazol e Pantoprazol na absorção de nutrientes?

Em termos de impacto nutricional, todos os IBPs agem de forma muito semelhante porque o desfecho final é o mesmo: a elevação do pH gástrico. O Pantoprazol costuma ter menos interações com outros medicamentos no fígado, mas para a absorção de B12 e minerais, o risco é o mesmo do Omeprazol.

A escolha entre um ou outro geralmente depende da sua tolerância pessoal e de outras medicações que você já toma. O importante é saber que a “classe” como um todo requer monitoramento nutricional, independentemente do nome comercial.

7. Por que sinto gases e estufamento usando esses remédios?

Isso ocorre por causa da digestão incompleta das proteínas e pelo supercrescimento bacteriano. Quando a comida não é “queimada” adequadamente pelo ácido gástrico, ela chega ao intestino em pedaços maiores, servindo de banquete para bactérias fermentadoras.

Para aliviar, tente refeições menores e mais frequentes. O uso de enzimas digestivas (prescritas pelo médico) junto com as refeições principais pode ajudar a quebrar a comida que seu estômago não conseguiu processar por causa do remédio.

8. O uso de IBPs afeta a absorção de proteínas e músculos?

Diretamente, não bloqueia a absorção de aminoácidos, mas dificulta a quebra inicial de proteínas complexas (como carnes). Se você é idoso ou atleta, isso pode afetar a velocidade com que seu corpo recupera os músculos.

A solução é dar preferência a proteínas de fácil digestão (peixes, ovos, whey protein) e garantir que a mastigação seja perfeita. O estômago com IBP precisa de ajuda externa para fazer a “moagem” que o ácido não está fazendo.

9. Gestantes podem ter problemas nutricionais com IBPs?

Grávidas frequentemente sofrem com azia e usam IBPs. Como a demanda por ferro, B12 e cálcio é altíssima na gestação, a vigilância deve ser redobrada. O uso deve ser pelo menor tempo possível e sempre sob supervisão do obstetra e nutricionista.

Muitas vezes, medidas de postura (não deitar após comer) e o uso de antiácidos locais de barreira (alginatos) conseguem controlar o sintoma sem interferir na química sistêmica do estômago da mãe e do bebê.

10. O IBP pode causar problemas nos rins?

Sim, o uso crônico está associado a um risco aumentado de Nefrite Intersticial Aguda e Doença Renal Crônica progressiva. Acredita-se que seja uma reação imunológica do organismo ao medicamento ou uma consequência da desregulação eletrolítica.

Se você usa esses fármacos há anos, inclua exames de função renal (creatinina e taxa de filtração glomerular) no seu check-up anual. Identificar alterações precoces permite ajustar o tratamento e proteger seus rins.

11. Existe algum chá ou remédio natural que substitua o IBP?

Não há um chá que “bloqueie a bomba de prótons” como o Omeprazol, mas existem substâncias que protegem a mucosa. O chá de espinheira-santa, o gel de babosa (uso interno regulamentado) e o suco de batata-doce crua são usados tradicionalmente para acalmar o estômago.

Essas opções podem ajudar na fase de desmame do remédio químico, mas nunca devem ser usadas para substituir o tratamento de condições graves (como úlceras sangrantes) sem a autorização do seu médico gastroenterologista.

12. Por que sinto dor de cabeça quando tento parar o remédio?

Isso pode ser parte do efeito de rebote ácido. O corpo, tentando compensar o bloqueio de anos, produz um excesso de hormônio gastrina. Quando você tira o remédio, as bombas voltam a funcionar todas de uma vez, causando uma “inundação” de ácido.

Essa acidez súbita causa mal-estar geral e dores de cabeça tensionais em algumas pessoas. Por isso, o desmame deve ser muito lento, usando protetores de barreira durante a transição para suavizar a volta da produção ácida natural.

Referências e próximos passos para sua saúde digestiva

As diretrizes para o uso de IBPs mudaram nos últimos cinco anos. Hoje, sociedades médicas como a American Gastroenterological Association (AGA) e a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) enfatizam o uso da “menor dose eficaz pelo menor tempo possível”. O conhecimento de que o estômago ácido é uma engrenagem vital para a longevidade nutricional é a base da nova farmacologia digestiva.

A ciência prova que o uso crônico exige um papel ativo seu. O próximo passo tático para você é organizar seus exames recentes e agendar uma consulta focada em revisão medicamentosa. Leve este guia e questione seu médico sobre a saúde dos seus ossos, seus níveis de B12 e as estratégias de desmame gradual. Informação técnica é sua maior proteção.

Lembre-se: tratar o sintoma é importante, mas preservar sua nutrição é fundamental para uma vida longa e ativa. Ao equilibrar a proteção do estômago com a vigilância metabólica, você garante que sua saúde digestiva não seja o gargalo do seu bem-estar geral. O caminho para o equilíbrio está na personalização do seu cuidado.

Base normativa e regulatória

No Brasil, a prescrição e a bula dos Inibidores da Bomba de Prótons seguem as normativas da ANVISA, que já inclui alertas sobre o uso prolongado e o risco de hipomagnesemia e fraturas. Além disso, os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde orientam que o uso desses fármacos para queixas dispépticas deve ser reavaliado periodicamente para evitar a iatrogenia nutricional.

A conformidade com essas normas garante que o tratamento oferecido no sistema público e privado busque o equilíbrio entre eficácia clínica e segurança a longo prazo. Como paciente, você tem o direito de ser informado sobre esses riscos e de participar das decisões sobre a duração do seu tratamento farmacológico.

Considerações finais em apoio ao seu bem-estar

Utilizar um medicamento de forma crônica exige respeito à biologia do corpo. Os IBPs são ferramentas poderosas e necessárias para muitas condições, mas eles não devem ser o destino final da sua saúde digestiva. Ao entender como eles afetam sua absorção de nutrientes, você deixa de ser um usuário passivo e se torna um gestor consciente da sua vitalidade. Confie nos protocolos médicos, mantenha a vigilância nutricional e lembre-se que cada pequeno ajuste — na dose, no tempo ou na dieta — é um investimento na sua longevidade e liberdade metabólica. Sua saúde é um mosaico, e o estômago é apenas uma peça fundamental dele.

Aviso Legal: Este conteúdo é estritamente informativo e educacional. Ele não substitui a consulta médica presencial, o diagnóstico profissional ou o tratamento prescrito por um especialista assistente. Nunca altere ou interrompa o uso de medicamentos prescritos sem orientação médica direta. A interrupção súbita de IBPs pode causar complicações clínicas significativas.

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